terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ela me descreve!


Mulher, entre e sinta-se em casa!


"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
Tais momentos são meus segredos. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Tenho medo apenas de viver o que não entendo. É uma benção estranha.

Sou um o quê? Um quase tudo.

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
Clarice Lispector
Sinto ainda que ela me descreve de alguma forma...dos pés a cabeça.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Gramática e vida!

Ninguém folheia minha vida por acaso.!
Se assim fosse, é como se lessem algum texto e no fim dele, não entendessem nada.
Não que a vida seja um livro, a minha não é.
Não a limitaria em índice. Prefácio. Introdução. Conclusão. Editoria e Correção.
Não a submeteria a resenha, resumo. Páginas contadas. Imagina de 1 a 100! Pouco.
Começo, Meio e Fim. “Acabei de ler.”

Uma virgula muda sentidos
Sentidos seguem direções,

Há certos livros que não vamos até seu fim,. Empoeirados permanecem na cabeceira. E se retirados dali, sentimos falta. Ali é seu lugar, faz companhia ao travesseiro e ao imaginário que dorme com imagens acordadas no inconsciente que tanto deseja.
Já outros devoramos em dias, horas e horas.
Outros relemos e relemos.
Parindo daí, somos livros.
Um oficio com entrelinhas.
Uma narrativa diária. E um diário cujo o autor rabisca, rasga folha, amaça e escreve em linhas tortas.
Personagens eternos.

O ponto indica final.
Ou começo de um novo parágrafo.

Escrever me alivia e ler dói as vistas e o coração!


Carolina

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

É simplesmente assim...



O corpo sente.
Fala, deseja, grita, e quer.

O coração sente.
Silencia, ama, recita e espera.

O corpo trai.
Excita, instante, esquece.

O coração fidelidade.
Carinho, eterno, recorda.


O corpo age.
1,2,3 e 4. Sim, quatro.

O coração cochila.
Beija a orelha. Olha no olho.
1 vezes e Dorme no peito.

O corpo quinta-feira.
O coração eternidade.

Como óleo e água?
Tudo foge ao meu entendimento...

Carolina
" Eu te falo com paixão"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mil Padres Nossos e Mil Ave-Marias


Quando Bentinho roga a Deus, prometendo lhe oferecer sua reza em troca do amor (afinal em seu devaneio livrar-se-ia do seminário para a consumação), lembrei-me dos meus 17 anos quando pedi para não mais me apaixonar. Menina com sentimentos a flor da pele, já sentira ali, quanto custaria manter borboletas no estomago.
Mas o tempo passou, a promessa não se cumpriu.
Aprisionei minhas borboletas.
Elas se mantiveram por mais uma vez em mim. E eu e nele.
Frio na barriga e cócegas no coração.

Senti que era o momento de libertá-las, não pelo fato de me livrar da paixão, mas chegara a hora que só coração digere o sentimento.
Por isso era momento de partida.
No entanto, pra minha surpresa, elas se foram por si só. Criaram asas, e num ato de vingança, por duas décadas de prisão, o levaram.
Teria as borboletas se apaixonado por ele?
Teria ele medo de habitar meu coração?
Teria meu coração medo de abriga-lo?
Teria abrigo? Teria.

Como Bento, rogo a Deus num oficio diário, nem tantas vezes mil, porém vezes, vezes e vezes. Não para o retorno das borboletas, aquelas que acreditei serem mais que sinais, amigas fieis, aquelas que cochicham com a gente dentro quarto a portas fechadas. Não rezo para tê-lo comigo. Mas para ele ter-se com ele e com Ele.

Hoje acordei com duas décadas e um ano, uma pia eternamente sem saída, sem as borboletas no estomago. Entretanto, quando dei por mim lá estavam os casulos. E ele no lugar onde sempre esteve.

Como o ventre gera vida. O coração casulos.
Afinal, borboletas vivem somente 24 horas.


Carolina

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Continuo Aqui...



No meu cantinho escrevendo artigos acadêmicos que hoje me arrancam o tempo para rabiscar sobre vida, paixões e políticas inflamadas de discursos complexos.E é disso que gosto de falar.
Fim de ano, fim de tantas coisas.
Um retrovisor com tantas imagens. Ora ofuscadas, ora tão claras que nem conseguimos enxergar um fim devido ao forte reflexo nos olhos e no caminho, que anda, no entanto, retrocede de uma forma e em algum momento de nossas vidas..

Fim de Bush. Da estupidez e das Tropas.
Fim de Derci e dos 101 anos acompanhados das palavras grandes.
Fim de 5 anos de uma infância roubada, lançada a grama.

Começo de Obama. E da aceitação do rejeitado histórico.
Início de uma crise mundial, talvez com menos sobrevivência que os palavrões de Derci.
Estréia de Maisa, 6 anos de um megafone enjoativo.

Essa semana indagaram-me sobre o fim dos meus romances. Esses só iniciam.
Já as paixões passaram, pelo simples fato de serem paixões. A carne cicatriza e casquinha cai.
E o coração só tem espaço pra um Presente de Natal.
Eu tenho direito a laço vermelho. E a laços!
Desatá-los? Só quando houver um fim!

Carolina

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Lembranças.!


Lorena, 26 de agosto de 2006
.
"Todo formigueiro tem uma rainha.
Para todo cágado uma cágada.
Para todo arteiro uma anjo-da-guarda.
Para cada bumbum uma fralda.
Para cada bebê um papai e para cada filho uma mamãe.
E para mim você.
Mas nem toda estrela tem um nome.
Nem toda flor tem quem a beije.
Nem todo girassol tem que o faça girar.
Nem toda boca tem um sorriso.
Nem todos olhos têm brilho.
Nem todo útero é um jardim de Margarida, Rosa e Flor.
Nem todo céu tem 3 Marias e uma eterna lua-de-mel.
Não é qualquer um que viaja o mundo de Velotrol, nem que namora Nossa Senhora.
Nem todo mundo tem um cão com nome de Mel."
...
Nem toda história tem um fim ou não conseguimos escrever um.
Somente sentir.
.
"O que a memória amou fica eterno"
Carolina.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Interruptor.



Ele fica me olhando, acende dúvidas impertinentes.
Mas não ilumina.
Apago ou não apago?

As vezes quero ficar num escuro, acender a vela e rezar.
Uma reza para almas, santos, meu avô e minha alma.
Acho que o que a vela reflete é mais natural e me faz melhor.
Luz Elétrica, "Luz para Todos", muita Engenharia e Politicagem.
Fico com a parafina derretida que nos queima de uma forma que não dói.
A lâmpada quebra e devemos trocá-la periodicamente.
E a luz pode ser cortada por falta de pagamento
Quanto custa para manter uma chama? Um fósforo ou duas pedras?
Pra apagá-la somente um assopro.

A vela deixa cinzas de seu pavio, como o eu do que me queima.
Um dia jogo tudo no jardim. Vira adubo e vida novamente.
Também deixa esculturas tímidas do que se derreteu.
E o que se derrete? Humanos Líquidos.
As coisas não terminam.

Acabou a Luz!
“E agora, José?”
Pega a Vela.


Daí um dia apague-a e faça um pedido!
Ou vai velejar!



Carolina